O que causa o travamento?

O movimento dos dedos depende do deslizamento suave dos tendões por pequenos túneis fibrosos chamados polias. No dedo em gatilho, ocorre um espessamento do tendão flexor ou da polia A1, fazendo com que o tendão tenha dificuldade para passar pelo túnel.

Esse atrito provoca o estalo característico, dor e, em fases mais avançadas, o travamento do dedo dobrado, exigindo ajuda da outra mão para estender. O problema é mais comum em adultos entre 40 e 60 anos e pode estar associado a diabetes, doenças inflamatórias, alterações hormonais e atividades com esforço manual repetitivo. Polegar, anelar e médio são os dedos mais frequentemente afetados.

Dedo em gatilho congênito (em crianças)

Embora seja mais conhecido em adultos, o dedo em gatilho também pode ocorrer na infância. Nos bebês e crianças pequenas, ele é chamado de congênito e costuma acometer principalmente o polegar, que permanece dobrado e com dificuldade de extensão.

Nesses casos, a causa não está relacionada a inflamação por esforço, mas a uma diferença no desenvolvimento do tendão e da polia. Em muitos pacientes pediátricos, o quadro pode melhorar espontaneamente ou com fisioterapia e alongamentos orientados, especialmente nos primeiros meses de vida.

No entanto, quando o travamento persiste ou limita a função, a cirurgia simples é indicada e apresenta excelentes resultados, com recuperação rápida.

Tratamentos sem cirurgia (infiltração)

Nos estágios iniciais do dedo em gatilho em adultos, é possível evitar a cirurgia. O tratamento conservador inclui repouso relativo, adaptação de atividades, uso de órteses em situações específicas e, principalmente, a infiltração com corticoide.

A infiltração é realizada diretamente na região da polia inflamada e tem como objetivo reduzir o processo inflamatório, permitindo que o tendão volte a deslizar normalmente. Em muitos casos, uma única aplicação é suficiente para resolver os sintomas. Quando bem indicada, essa abordagem pode evitar a cirurgia e devolver a função do dedo de forma rápida e segura.

Como é a cirurgia de liberação (Polia A1)

Quando o tratamento conservador não resolve ou quando o dedo já apresenta travamentos frequentes e dolorosos, a cirurgia de dedo em gatilho é o tratamento definitivo. O procedimento é simples, rápido e realizado com anestesia local.

Durante a cirurgia, o cirurgião faz uma pequena incisão na base do dedo para liberar a polia A1, abrindo o “teto” do túnel por onde o tendão passa. Com isso, o tendão volta a deslizar livremente, eliminando o travamento de forma imediata. É uma cirurgia de curta duração, geralmente ambulatorial, com alta no mesmo dia e alto índice de sucesso.

Pós-operatório: precisa de fisioterapia?

Após a cirurgia, a recomendação é iniciar a movimentação do dedo o quanto antes, ainda no mesmo dia ou no dia seguinte. Essa mobilização precoce é fundamental para evitar aderências e rigidez.

Na maioria dos casos, não é necessária fisioterapia formal, apenas orientações de exercícios simples em casa. A dor costuma ser leve e transitória, e o retorno às atividades do dia a dia acontece de forma progressiva. Em poucos dias, o paciente já percebe melhora significativa da função e desaparecimento do travamento.

Principais cuidados pós-operatórios: 

• Curativo e higiene da incisão;

• Elevação da mão;

• Exercícios recomendados pelo médico;

• Medicamentos e controle da dor;

• Uso de talas ou órteses.