Como identificar uma fratura?

A fratura do punho costuma causar dor intensa imediata, inchaço rápido e dificuldade ou incapacidade de movimentar a mão. Em muitos casos, há uma deformidade visível conhecida como “dorso de garfo”, quando o punho assume um formato anormal devido ao desvio do osso.

Outros sinais incluem sensibilidade extrema ao toque, estalos ao tentar movimentar o punho, formigamento nos dedos e perda de força para segurar objetos. Mesmo quando a deformidade não é evidente, a dor persistente após uma queda deve ser investigada.

O Raio-X urgente é indispensável para confirmar o diagnóstico, avaliar o grau de desvio e definir a melhor conduta. Quanto mais cedo a fratura é diagnosticada e tratada, menores são as chances de complicações e sequelas funcionais.

Tratamento conservador (gesso)

O tratamento com gesso é indicado apenas em situações específicas, quando a fratura não apresenta desvio ou quando o alinhamento ósseo pode ser mantido após uma redução fechada (realinhamento manual).

Esse tipo de abordagem é mais comum em fraturas estáveis ou em pacientes com baixa demanda funcional, como idosos com rotina pouco exigente para o punho. No entanto, mesmo nesses casos, é fundamental realizar radiografias de controle, pois o osso pode se deslocar durante o período de imobilização.

O risco do tratamento conservador está em permitir que o osso consolide em posição inadequada, o que pode resultar em dor crônica, limitação de movimento, perda de força e deformidade permanente.

Tratamento cirúrgico (placa e parafusos)

Fraturas desviadas, instáveis ou que envolvem a articulação do punho geralmente exigem cirurgia com placa e parafusos. O objetivo é restaurar o alinhamento anatômico do osso, preservar a superfície articular e permitir uma recuperação funcional mais rápida e eficaz.

A cirurgia de punho fixa os fragmentos ósseos de forma estável, o que reduz a necessidade de gesso prolongado e possibilita mobilização precoce, diminuindo o risco de rigidez e atrofia muscular.

Além disso, fraturas mal alinhadas que não são operadas no momento certo podem evoluir para artrose precoce, dor persistente e perda definitiva da função, tornando a correção futura mais complexa e menos previsível. Por isso, a decisão cirúrgica precoce é fundamental para evitar sequelas.

Histórico e evolução do tratamento

No passado, a maioria das fraturas do punho era tratada exclusivamente com gesso, mesmo quando havia desvio importante. Como resultado, muitos pacientes consolidavam o osso em posição torta, desenvolvendo deformidades e limitação permanente de movimento.

Hoje, com o avanço das técnicas cirúrgicas e o uso de placas anatômicas modernas, é possível obter alinhamento preciso e resultados funcionais superiores. A cirurgia permite restaurar a anatomia original do punho e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente, reduzindo o risco de complicações a longo prazo.

Reabilitação e terapia da mão

A recuperação não termina com a consolidação do osso. A reabilitação é uma etapa essencial para restaurar força, mobilidade e coordenação da mão.

Desde os primeiros dias após o tratamento — cirúrgico ou conservador — recomenda-se movimentar os dedos imediatamente, evitando rigidez e aderências. Em muitos casos, a terapia da mão orienta exercícios específicos para recuperar amplitude de movimento e função.

A retomada das atividades diárias ocorre de forma progressiva, respeitando o tempo de cicatrização óssea e a resposta individual do paciente. Um acompanhamento especializado faz toda a diferença para alcançar um resultado funcional completo.